sábado, 31 de julho de 2010

O passaro

Por onde foi voar o mais belo dos pássaros, se só há terra árida longe daqui?
Mas será que é de terra fértil que ele precisa pra viver, se a necessidade do pouso é a trágica limitação da sua capacidade genuína de voar?
Uma vergonha pra ele. Um fracasso.
Ela o quer por perto porque é terra.
Ele quer se esquecer que precisa dela.
Com o peito cheio de razão e coragem, ele se vai... voa longe... sozinho e forte. 

Deixando para trás, orgulhosamente, toda abundância que o enfastia e toda segurança que o enclausura.
Vem a chuva, o vento, o frio...
Avista um monte, sente-se tentado em render-se.
Por estar tão longe e solitário, não se sentiria livre mesmo pisando aquele chão tão remoto?
Não. Não poderia, o monte pertence a ela.
Segue voando bravamente. Ainda sozinho, mas já não mais tão forte.
Ela não o agride, não o persegue, não o assedia. Apenas existe, em tudo que existe, e isso o insulta. Como queria não fazer parte, ser aparte, soberano de si
Mas como viver sem ela?
E como suportar à humilhação de sucumbir?
Resolve então seguir.
Até exaurir-se de toda força.
Até embriagar-se de todo orgulho.
Até locupletar-se de toda honra.
Até cair de fome fartamente sobre sua abundância.
Até morrer livremente em sua segurança. 

Lobotomer

Antes eu lia um livro por mês, aprendia uma nova música por semana no violão. Gostava de ler poesias e até ousava escrever alguns versos. Mantinha meu quarto arrumado e os sapatos sempre engraxados. Os relatórios eram em dia e até me dava ao luxo de esbanjar alguns minutos refletindo sobre a minha vida antes de dormir.
Aí eu comprei uma televisão...


Eu por mim


Não muito para auto-apresentações, 
creio que não me conheço a este ponto, 
e sinceramente, 
também questão não faço. 
Mas, sou uma pessoa normal, por assim dizer. 
Fraco para umas coisas e forte para outras. 
Na verdade, acho que sou fraco para quase tudo. 
E forte por suportar conviver com todas estas fraquezas. 
Não tenho sonhos, apenas objetivos tangíveis,
o que talvez me torne um pouco amargo ou realista demais.
Amo a liberdade, o silêncio, café, bolinhos de chuva;
noites de Verão, tardes de Outono e manhãs de Prima-Vera. 
(O inverno é sempre frio e árido de vida. Não me apraz)
Acredito em Deus, na vida, nas pessoas,
na eternidade do amor e do espírito. 
Não acredito em personalidade inata. 
Creio num homem em eterna evolução e reinvenção,
produto de suas escolhas, e  
"eternamente responsável por tudo aquilo que cativa"