quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A tu que há de vir

Prazer terei imenso em conhecer-te amor.
Tu a quem meu coração conhece e minha alma.
Meus olhos agora anseiam em vislumbrar teu brilho
Meu toque em reconhecer tua pele
Meu olfato em entorpecer-me com teu cheiro.
Teu lado, lugar onde em sonho tantas vezes estive e voltei soberbo de esperança.
Lado a lado agora sonharemos mundos distantes e destinos perfeitos.
Pintados com lápis de cor azul da cor da terra.
Sim, a terra será azul no nosso mundo surreal.
Sentido não há de ter, razão e nem bom senso.
Apenas há o tempo que se fez do encontro
Das almas que vazias vagavam a procura e a espera
De um mundo de paz, segurança e algo além.
Prazer terei imenso e conhecer-te amor
E hei de vê-la me trazendo nos olhos
O brilho da vida que guardei pra ti.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Revida

Havia na pureza dos olhos o engodo
que a malícia do toque desvelaria no instante seguinte
E no instante seguinte ao toque, outro olhar que dizia:
- Calma! Meus olhos são tua alma, meu toque tua própria pele
E assim, como em cortejo breve
conduzia minh’alma, num sopro de vida leve,
um renascer de minha vida noutro corpo ressurgida
e ao perene enternecer entregue

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Espelho

...Se só vejo dor é porque a dor esta dentro de mim
Se só vejo flor é porque a flor esta dentro de mim
E se tão bela flor um dia me ferir com seus acúleos
Ainda assim, eu acharei bela e sangrarei por ela...

segunda-feira, 28 de março de 2011

O menino

O menino só queria calçados
Estava cansado de pés descalços
A planta lisa de seu pé fino de menino
Áspera pelo despir indesejado
Ardia e sangrava pelo caminho ermo, inexato
Vergonhoso da penúria ultrajante
Hesitava em seguir desnudo, e adiante
a espreita de sua fina couraça
o aguardava uma selva de pedra cortante
De nada adianta fugir agora
E é penosa a esperança dos “louros”
que padece, desiste do sonho e vai embora
Mas a rudeza do solo que lhe assola a sola
a faz sangrar, mas consola com a crosta que surge grossa
e o que outrora lhe feria e sangrava já não mais apavora
Agora, é a teus pés que o solo implora: Piedade!
Ao seu pisar destemido, temente, o insolente espinho treme e chora
E da dor que sentia exposto a terra fria
Apenas a lembrança e o vazio do desejo inalcançado
                              
                                              .......O menino só queria calçados

terça-feira, 22 de março de 2011

Bem vinda!

De um modo ou de outro ela viria
sem um sentido lógico ou racional
e me traria os sonhos, os cantos, os risos...
que há tempos guardei a espera do seu sinal

Mais cedo ou mais tarde minha vida mudaria
Como sei? Não sei. Eu só sabia
que assim como urge a terra fértil a semeadura
minha vida tão cheia de vida, não exaurir-se-ia ao vão de sua procura

E me olha calma, com seus olhos simples e sem segredos
não chegou ao por-do-sol em sua carruagem de brilho cor-de-rosa
nem tampouco com olhar ardente de paixão de fogo em brasa

Chegou de mansinho e foi entrando...
e ao lhe ver parada na porta da frente
era minha a certeza de que enfim, estava em casa.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Ser...

Quem é, não quer ser.
Quem quer ser, não é.
Quem não é, e quer ser, pra ser, tem que respeitar quem é.
Porque quem é, não é porque quer, mas é, porque precisa ser.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

O maior amor do mundo

Ela sabe que me tem aos seus pés, por isso esse caminhar tirano, intrépido, obsceno.
Não olha pra trás. Não por ignorar-me, mas por saber-me próximo. 
Ela vai e vem e volta e diz que seus passos são meus.
Sem meus caminhos para lhe guiar, não vai não, além de logo ali.
Ela me quer tanto que sente medo. E me perturba.
Me subestima para não se dar a amar tanto alguém menor. E me maltrata.
Me quer ferir, para que eu seja fraco. E grita.
Espera que eu reaja. Que a agrida. Que a machuque. Que a enfrente.
Assim, talvez, me amaria menos. Ou ao menos, faria do amor insano, o comedido.
Mas eu entendo seu jeito de amar tresloucado. E calo.
Calo com resiliência inesgotável. E abstraio.
E vê-me enorme no meu silêncio inexplicável.
Sente que há amor. Profundo.
Em toda sua pureza e plenitude.
Qual ser humano seria digno de tanta devoção?
Gratuita. Incondicional.
Um amor tão puro que lhe macula a alma de pecadora.
Um olhar tão terno que lhe desafia à luta,
porém já perdida... porém já tombada...
Como suportar a dor em ser tão amada?
E enquanto um brado de amor pungente cala em seus lábios...
Por dentro chora
de amor, compaixão e desespero.
 

Pra te fazer sorrir

Me diga quais são seus sonhos
que eu vou atrás e trago pra você
apenas pra te ver sorrir mais uma vez.
Me chame de par
e eu danço só pra você
e a noite não acaba até 

você abrir os olhos e me ver.
Será que eu vou saber dizer a frase certa agora?
Meus olhos vão brilhar
seu sorriso se abrir
e você vai valer o que esperei.
Me fale de amor e diga

que quer viver o maior da sua vida agora
que eu te estendo a mão

e digo vem.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011


"Meu coração tem um sereno jeito
E as minhas mãos o golpe duro e presto,
De tal maneira que, depois de feito,
Desencontrado, eu mesmo me contesto.
Se trago as mãos distantes do meu peito
É que há distância entre intenção e gesto
E se o meu coração nas mãos estreito,
Me assombra a súbita impressão de incesto.
Quando me encontro no calor da luta
Ostento a aguda empunhadora à proa,
Mas meu peito se desabotoa.
E se a sentença se anuncia bruta
Mais que depressa a mão cega executa,
Pois que senão o coração perdoa".
                                  
                                Ruy Guerra