segunda-feira, 28 de março de 2011

O menino

O menino só queria calçados
Estava cansado de pés descalços
A planta lisa de seu pé fino de menino
Áspera pelo despir indesejado
Ardia e sangrava pelo caminho ermo, inexato
Vergonhoso da penúria ultrajante
Hesitava em seguir desnudo, e adiante
a espreita de sua fina couraça
o aguardava uma selva de pedra cortante
De nada adianta fugir agora
E é penosa a esperança dos “louros”
que padece, desiste do sonho e vai embora
Mas a rudeza do solo que lhe assola a sola
a faz sangrar, mas consola com a crosta que surge grossa
e o que outrora lhe feria e sangrava já não mais apavora
Agora, é a teus pés que o solo implora: Piedade!
Ao seu pisar destemido, temente, o insolente espinho treme e chora
E da dor que sentia exposto a terra fria
Apenas a lembrança e o vazio do desejo inalcançado
                              
                                              .......O menino só queria calçados

terça-feira, 22 de março de 2011

Bem vinda!

De um modo ou de outro ela viria
sem um sentido lógico ou racional
e me traria os sonhos, os cantos, os risos...
que há tempos guardei a espera do seu sinal

Mais cedo ou mais tarde minha vida mudaria
Como sei? Não sei. Eu só sabia
que assim como urge a terra fértil a semeadura
minha vida tão cheia de vida, não exaurir-se-ia ao vão de sua procura

E me olha calma, com seus olhos simples e sem segredos
não chegou ao por-do-sol em sua carruagem de brilho cor-de-rosa
nem tampouco com olhar ardente de paixão de fogo em brasa

Chegou de mansinho e foi entrando...
e ao lhe ver parada na porta da frente
era minha a certeza de que enfim, estava em casa.