sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A jóia

Que joia tão bela e preciosa perdida neste jardim entre os cascalhos!
Quem perdera tão rara joia, ou não se dera conta de sua preciosidade?
Que brilho é esse que jamais se vira outro igual
Que de tão majestoso incomoda a alma até então adormecida?
De onde surgiste se não foste garimpada?
Caíras do céu?
Vieras do mar? 

Por que ao meu olhar penetra o teu brilho com tanta intensidade que me faz arder como chama os órgãos internos e gelar como pedra as extremidades?
Por que entre milhares de milhões foi justamente de minha alma tão embotada que vieste ao encontro?
Eu que já estava quase de saída...
E se eu resolver fazer-te minha?
Pôr-me-ia, então, a lapidá-la dia a dia.
E ao lapidá-la com o mais devotado esmero não é a ti que vejo reluzir, mas à minha alma.
Por que somes um pouco mais a cada dia mesmo com tanto amor depositado em teu zelo?
Porque cresce minha alma e aumenta-lhe o brilho na mesma proporção em que te dissipas diante dos meus olhos?
Amo-te mais a cada dia
A cada dia desaparece um pouco de ti
De tão pequena já não te resta quase brilho nenhum agora,
E minha alma de tão grande resplandece todas as dimensões
Acabou! Já não mais posso vê-la
Procuro-te por todos os lados.

Onde foi parar tão fulgurante?
Ó joia rara, bela, única...
De tão singular quis fazer-te minha para sempre
De tanto amor a vi desfazer-te de tua forma
Transformara-te em luz e adentraste em minha alma pouco a pouco, dia a dia
Não mais a vejo porque dentro de mim tu estas
Ó joia rara do meu destino
Transformei-me em ti
Transformara-te em mim



sábado, 31 de julho de 2010

O passaro

Por onde foi voar o mais belo dos pássaros, se só há terra árida longe daqui?
Mas será que é de terra fértil que ele precisa pra viver, se a necessidade do pouso é a trágica limitação da sua capacidade genuína de voar?
Uma vergonha pra ele. Um fracasso.
Ela o quer por perto porque é terra.
Ele quer se esquecer que precisa dela.
Com o peito cheio de razão e coragem, ele se vai... voa longe... sozinho e forte. 

Deixando para trás, orgulhosamente, toda abundância que o enfastia e toda segurança que o enclausura.
Vem a chuva, o vento, o frio...
Avista um monte, sente-se tentado em render-se.
Por estar tão longe e solitário, não se sentiria livre mesmo pisando aquele chão tão remoto?
Não. Não poderia, o monte pertence a ela.
Segue voando bravamente. Ainda sozinho, mas já não mais tão forte.
Ela não o agride, não o persegue, não o assedia. Apenas existe, em tudo que existe, e isso o insulta. Como queria não fazer parte, ser aparte, soberano de si
Mas como viver sem ela?
E como suportar à humilhação de sucumbir?
Resolve então seguir.
Até exaurir-se de toda força.
Até embriagar-se de todo orgulho.
Até locupletar-se de toda honra.
Até cair de fome fartamente sobre sua abundância.
Até morrer livremente em sua segurança. 

Lobotomer

Antes eu lia um livro por mês, aprendia uma nova música por semana no violão. Gostava de ler poesias e até ousava escrever alguns versos. Mantinha meu quarto arrumado e os sapatos sempre engraxados. Os relatórios eram em dia e até me dava ao luxo de esbanjar alguns minutos refletindo sobre a minha vida antes de dormir.
Aí eu comprei uma televisão...


Eu por mim


Não muito para auto-apresentações, 
creio que não me conheço a este ponto, 
e sinceramente, 
também questão não faço. 
Mas, sou uma pessoa normal, por assim dizer. 
Fraco para umas coisas e forte para outras. 
Na verdade, acho que sou fraco para quase tudo. 
E forte por suportar conviver com todas estas fraquezas. 
Não tenho sonhos, apenas objetivos tangíveis,
o que talvez me torne um pouco amargo ou realista demais.
Amo a liberdade, o silêncio, café, bolinhos de chuva;
noites de Verão, tardes de Outono e manhãs de Prima-Vera. 
(O inverno é sempre frio e árido de vida. Não me apraz)
Acredito em Deus, na vida, nas pessoas,
na eternidade do amor e do espírito. 
Não acredito em personalidade inata. 
Creio num homem em eterna evolução e reinvenção,
produto de suas escolhas, e  
"eternamente responsável por tudo aquilo que cativa"